Paulus e Petrus

9 maio

Conforme disse, além de alguns contos, já li dois romances célebres de Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. O primeiro por imposição do vestibular e o segundo por curiosidade.

No entanto, após ganhar de presente o “Almanaque Machado de Assis” fui instigado a ler “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”. Não farei aqui uma crítica das obras. Primeiro por que não me sinto capaz para tanto e segundo, por que quero terminar de ler o almanaque para assim poder apresentar as minhas opiniões.

Apenas fica registrada aqui uma advertência – como o próprio Machado faz na obra. O livro foi ‘encontrado’ junto as anotações do Conselheiro Aires, fazendo deste mais do que um mero personagem da obra, mas o seu fiel contador.

Este post, então, tem por assunto a história de Paulo e Pedro – daí o título – narrada em Esaú e Jacó. Irmãos gêmeos, os rapazes tem um acirrado espirito de rivalidade – consta até que brigaram no ventre da mãe.

Após narrar o crescimento dos irmãos, o autor mostra a distância ideológica entre eles. Perguntados pelas idades, Paulo responde: Nasci no aniversário do dia em que Pedro I caiu no trono. Já Pedro diz: Nasci no aniversário do dia em que sua majestade subiu ao trono.

Vale lembrar que a obra se passa no final do Império e início da República. Esta aí um ponto a ser destacado. No capítulo “O Caso da tabuleta”, Machado usa de uma metáfora para ilustrar a cidade do Rio de Janeiro, em 1889.

Custódio dono da antiga “Confeitaria do Império” é convencido a mudar as cores da tabuleta – espécie de faixa de identificação – de seu negócio. No entanto, com a mudança de regime, o comerciante se vê prejudicado, pois não pode alterar o nome para “Confeitaria da República”.

Metaforicamente, Machado de Assis insere seus personagens no contexto histórico que certamente movimento a sociedade no final do século XIX. A linha de intersecção entre literatura e história chega ao seu auge.

Novamente, a obra machadiana mostra se superior a seu tempo, mostrando relatos históricos, mas gerando discussões séculos depois.

Quanto ao resumo de livro, fica aqui a nossa indicação de leitura. Resumir uma obra dessa magnitude não seria um fato positivo, mas lançar o convite a conhecer a obra, sim.

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2 Respostas to “Paulus e Petrus”

Trackbacks/Pingbacks

  1. A importância do fichamento « Leia e Opine - 27/11/2011

    […] Surge então o tema deste post. Para escrever sobre a ironia machadiana, o signatário deste blog simplesmente cismou que a frase dita por Rita, no conto A Cartomante, pertencia a outro livro do autor: Esaú e Jacó. […]

  2. Esse Aires « Leia e Opine - 10/01/2012

    […] o “Memorial de Aires” após a leitura de “Esaú e Jacó”. Os dois últimos romances de Machado de Assis tem como personagem o famoso […]

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