Quando a expectativa é frustrante

20 out

Lucinda e Carminha (TV Globo/Divulgação)

Há um ditado que diz “não crie expectativas para não se frustrar”. Pois bem, acredito que esta frase explica bem a ressaca causada pelo fim “Avenida Brasil” na noite de ontem.

Depois de sete meses cometendo as maiores vilanias da televisão brasileira, Carminha – interpretada magistralmente pela grande Adriana Esteves – se redimiu e acabou a trama perdoada por sua maior algoz, a Nina de Débora Falabela.

Obviamente que as pessoas podem se arrepender de suas ações, mas passar a novela inteira aprontando para ser perdoada no final foi um pouco a mais.

Outro ponto que merece comentários foi o casamento a quatro protagonizado por Cadinho (Alexandre Borges), Verônica (Débora Bloch), Noêmia (Camila Morgado) e Alexia (Carolina Ferraz). O cúmulo da falta de senso.

Mesmo sendo uma obra de ficção,  vale lembrar que os críticos sempre intitularam a novela como “reflexo da sociedade brasileira”. Calma lá. Que eu saiba poligamia é crime no Brasil e eu não me lembro de conhecer uma família assim.

Agora voltemos ao tema da frustração. Desde o momento em que o personagem Max (Marcelo Novaes) morreu criou-se um clima de suspense sobre o assassino.

Durante pouco mais de uma semana, cogitou-se vários nomes, mas ontem, Carminha – a vilã redimida – assumiu a culpa. Que me desculpe João Emanuel Carneiro – responsável por grandes acertos na trama – mas me pareceu falta de criatividade.

Senti que as novelas da Globo tem seguido o mesmo padrão. De memória rápida, lembrei-me de três casos: “Belíssima” e “Passione”, de Sílvio de Abreu e “Paraíso Tropical”, de Gilberto Braga e Ricardo Linhares.

Nas três tramas, os finais revelaram que os grandes vilões eram responsáveis pelas mortes que intrigavam o público. Muito pouco para quem acompanha as telenovelas e esperam um fim no mínimo criativo.

Lembro-me bem de outra trama de Sílvio Abreu: “A Próxima Vítima”. Em uma época onde a internet era para poucos, o enredo policialesco prendeu a atenção de todos e teve um fim surpreendente: o assassino era o personagem secundário de Cecil Thiré e todas as mortes da novela estavam relacionadas.

O mesmo Gilberto Braga ao lado de Alcides Nogueira compôs um enredo genial e criativo em “Força de um Desejo”. Ao colocar a personagem de Denise Del Vecchio como a assassina, os autores escolheram alguém que nem de longe parecia suspeita.

Mesmo defendendo a tese de que o público gosta de uma trama “mastigada” – vide como exemplo o fracasso retumbante da complexa “Máscaras”, da Record, – acredito que precisamos de mais criatividade no final das histórias.

Obter 51 pontos de média na Grande São Paulo para colocar Carminha – redimida – como a assassina de Max, foi pouco, muito pouco.

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4 Respostas to “Quando a expectativa é frustrante”

  1. HANNA LUAN 20/10/2012 às 11:52 #

    Discordo plenamente!!! a única parte que valeu a pena no final da novela, foi a parte do perdão, foi uma cena muito linda!!! nunca houve isso antes, o mal sempre morria, ia preso, se ferrava e a mocinha se sentia justiçada!!! Mas é claro, que como toda novela da globo, tinha que deixar muita coisa a desejar, por exemplo: deram muita bola pro adauto e olenka no último capítulo, coisa que não precisava, eu não entendi aquele final … todo mundo na mesa, uns bebes que ngm sabia de quem era, a Agatha não apareceu, ninguem soube o que aconteceu com o Santiago, e pior todo mundo tentava matar o Max ele roubava a arma e a pessoa corria de um jeito muito tosco! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e por fim: CADE O BEBE DA SUELEN????

  2. Priscila Ota 22/10/2012 às 19:41 #

    É Rogério…
    Fiquei decepcionada tb viu!! rsrs…
    Apesar de não ter acompanhado a novela todos os dias, tive as mesmas impressões que você… Realmente, para um último capítulo tão esperado e noticiado, passou bem longe de toda a expectativa que foi gerada pela mídia…

  3. Mayara (@mayara_162) 22/10/2012 às 21:25 #

    Concordo plenamente com vc! O final não achei criativo e senti falta da Carminha ironica kkkkkkkk….mMas acho que a mensagem final que o autor quis mostrar é que, apesar de todos os crimes que Carminha cometeu, ela conseguiu se redimir e agora paga o preço por ter agido errado durante a novela inteira, que foi morar no lixão e viver do lixão.
    Além disso, mostrou que é possível perdoarmos os nossos inimigos, que as pessoas podem ter uma segunda chance na vida e podem se aproveitar dela.
    Mas foi indiscutivelmente uma novela marcante, que parou o país e que trouxe excelentes revelações como o Adauto e a Zezé, que foram um show a parte.
    Achei que o elenco foi muito bem dirigido. Ricardo Waddington e Amora Mautner arrasaram!!!
    Vamos ver o que será da substituta, Salve Jorge!

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  1. Da Avenida Brasil para o mundo | Leia e Opine - 17/07/2013

    […] menos de 1 ano após ter seu último capítulo exibido no Brasil – e causado uma frustração neste blogueiro – , Avenida Brasil de João Emanuel Carneiro bateu um novo […]

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