O filho do outro

4 fev

capa O filho do outroNo sábado eu e a Helô Spolador fomos ao Reserva Cultural assistir “O Filho do Outro” filme da cineasta Lorraine Lévy.

Com uma sinopse intrigante – um rapaz israelense descobre após exames médicos ter sido trocado na maternidade por um bebê palestino – o longa mostra como o amor fraterno pode superar todas as barreiras, sejam ela religiosas ou culturais.

Para um brasileiro cristão comentar cenas como os da fronteira da Cisjordânia, na qual todos os palestinos devem mostrar seus documentos para entrar em território israelense, não é fácil. Afinal pouco sabemos sobre os verdadeiros motivos que levaram a tal situação.

Ainda sob esse aspecto, choca o fato do pai palestino ser engenheiro e trabalhar como mecânico simplesmente por não poder sair de seu vilarejo. A comparação da situação paradoxal da qual estão os envolvidos é representada pelo fato de Yacine – criado como palestino – conseguir em um dia de vendas de sorvete na praia de Tel Aviv mais dinheiro que seu pai mecânico.

Outro ponto marcante do filme é a conversa entre o jovem criado como judeu Joseph e o rabino. Ao mostrar que o judaísmo é um estado e não só uma crença, o longa traz diversos ensinamentos sobre o tema.

Fãs do futebol brasileiro, os jovens palestinos ostentam pôsteres de nossa seleção em seus quartos  e vestem com orgulho a camisa do time canarinho.

Também fato de menção aqui no blog é o amor materno demonstrado pelas personagens Leila e Orith. Mesmo tendo criado os filhos de outras pessoas, ambas contornaram a situação como o famoso amor de mãe. Já os pais – tipicamente figuras masculinas – expõem em um diálogo ríspido todas as diferenças que os separam – além do muro entre Israel e Palestina.

Ainda analisando o discurso do filme e as impressões que nós brasileiros temos sobre o assunto, certo ponto da história o irmão mais velho do palestino pede um visto de passagem para Israel.

Ambientados com os fanáticos árabes apresentados pelos telejornais, logo pensei que o jovem fosse “aprontar algo” baseado também na ideia de que durante todo o filme ele mostrou-se contrário as forças de ocupação. Ledo engano, assim como os demais, o jovem palestino apenas queria conhecer o outro lado.

Uma lição de vida. Para pensar e refletir. Muitos são os chavões que se encaixam neste longa, mas as sutilezas das passagens e o poder de provocação já valem a visita ao cinema.

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4 Respostas to “O filho do outro”

  1. Helô Spolador 05/02/2013 às 21:07 #

    Um filme lindo! Com uma verdadeira lição de tolerância, respeito, e acima de tudo amor ao próximo, seja ele judeu, islâmico, palestino, israelense…. Fronteiras rompidas na tela, que, se Deus (ou Alá) quiser, serão derrubadas na vida real também!

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  1. Muitas questões « Leia e Opine - 05/02/2013

    […] ao “Filho do Outro” no Reserva Cultural me levou a várias reflexões. Uma antiga: Por que filme tão bons não […]

  2. Laços de sangue | Leia e Opine - 24/02/2013

    […] verdade, este post é mais um desdobramento do filme “O Filho do Outro”. Ao mencionar o tema da troca de bebês, o longa potencializa a história ao opor dois mundos […]

  3. Uma garrafa no mar de Gaza | Leia e Opine - 02/05/2013

    […] como em “O Filho do Outro”, o filme tem com pano de fundo o conflito israelo-palestino que se arrasta como um dos mais […]

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