O banal não é normal

1 jul

Após o signatário deste blog escrever aqui sobre o uso do rádio escuta para a criação e desenvolvimento de pautas – explicando a grande escalada de notícias violentas em nossos telejornais – nossa colaboradora Vanessa Vieira mostra o lado da “audiência”.

Por Vanessa Vieira

Há pessoas que ficam deprimidas ao final dos noticiários. Há outras que optam por nem ver/ouvir tais programas já que são apresentadas somente notícias ruins. Não que isso signifique viver no famigerado “mundo de Poliana” (só com notícias agradáveis), mas o fato é que ninguém quer chegar em casa após um longo dia de trabalho e só se deparar com calamidades.

Se ao menos os noticiários tivessem uma estrutura repensada, poderiam diminuir o aborrecimento em lhes assistir/ouvir e, quem sabe, prestar um serviço de interesse público de mais qualidade. Sabemos que são inúmeras reuniões para discussão de pauta, mas a curiosidade das pessoas em relação aos assuntos essencialmente negativos sempre vence e o que vemos são matérias sobre violência, desastres, guerras.

A proposta seria que os noticiários apresentassem tais notícias ruins (uma vez que são retrato da realidade), mas na sequência, mostrassem o que está sendo conduzido no executivo, legislativo e judiciário para resolver cada problema, independente da escala: municipal, estadual, federal, mundial.

A imprensa tem papel fundamental na construção da realidade, por materializar os acontecimentos. Cabe a nós, “a audiência”, cobrar por um serviço de qualidade, exigindo investigação, questionamento, diálogo entre os envolvidos, ou seja, desejamos mais notícias sobre propostas e soluções, ao invés de extensas coberturas sobre o mais do mesmo que não vão agregar informação nova e útil para nossas vidas.

O momento é de usar as redes sociais ou outros canais como ombudsman, sites, e-mail, para cobrar da imprensa uma cobertura de qualidade, fazendo com que ela não ceda maior espaço para minorias (a exemplo dos vândalos parasitas nas atuais manifestações) e nos possibilite ter uma visão mais ampla e estratégica da própria realidade, de modo que não deixemos que o banal se incorpore ao normal.

 

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Uma resposta to “O banal não é normal”

  1. Priscila Ota 13/07/2013 às 18:02 #

    Excelente texto Vanessa!
    Realmente, você tem toda a razão.. Eu mesma sou um exemplo de pessoa que fica depressiva só de OUVIR as notícias transmitidas por programas como o do Marcelo Rezende (dispensa comentários..).
    Como você mesma disse, não é fugir da realidade, mas sim evitar cenas e falas sensacionalistas que estão atrás só de audiência.. Realmente, não sei como tantas pessoas ainda conseguem assistir programas desse tipo..

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