SP: a cidade das faixas de ônibus

21 out
Fábio Arantes/Secom

Fábio Arantes/Secom

Desde o início do ano, a Prefeitura de São Paulo vem implantando faixas exclusivas para ônibus em toda a cidade. Neste momento já são mais de 230 quilômetros de vias só para coletivos e a discussão sobre este modelo ganha força a cada dia.

Eu, Rogério Santana, como usuário do sistema de transporte coletivo apoio inteiramente a implantação das faixas. Sem levantar a questão eleitoral, pela primeira vez percebi que a administração municipal tomou uma atitude diante do caos em que nos encontrávamos.

Não era admissível uma pessoa gastar mais de 2 horas para chegar em casa após um longo dia de trabalho. Mesmo com alguns problemas, a implantação das faixas de ônibus reduziu o tempo de viagem de muitos paulistanos que ganharam em qualidade de vida.

No entanto, nem todos ficaram felizes com as novas faixas de ônibus e como vivemos em um estado democrático, convidei a pós-graduanda do curso de Jornalismo Contemporâneo do Mackenzie, Karen Zelic, para expor o seu ponto de vista.

A implantação de faixas exclusivas para ônibus ainda não convenceu e pelo visto não convencerá os motoristas de carros que circulam em São Paulo. Acredito que a tentativa da Prefeitura em priorizar e propor maior velocidade ao transporte coletivo pode funcionar, embora possa prejudicar quem utiliza carros, uma vez que iremos ter menos espaço e, portanto, circularemos em velocidade cada vez mais reduzida.

Um problema agravante desta operação é inserir faixas em avenidas que não tem a menor condição de disponibilizar uma faixa exclusiva para o transporte público. Avenidas como 9 de Julho, 23 de Maio, Francisco Matarazzo e entre muitas outras que sempre foram caóticas por serem estreitas, agora então reservando uma faixa para os ônibus, certamente irá agravar ainda mais.

Pra mim, a Prefeitura tomou esta iniciativa mais para fazer com que as pessoas deixem o seu carro na garagem e sejam obrigadas a ter que ir de condução para diminuir o tráfego intenso por toda a cidade do que subentender que tem como objetivo contribuir com a melhoria de desempenho dos ônibus nos corredores.

De certa forma, não vejo esta ação como uma solução, já que quem tem o seu carro, já arca com muitos gastos de IPVA, seguro e etc. e por isso não irá compensar deixando-o estacionado na sua garagem.

Assim como eu, muitos que têm carro, não vão abrir mão do conforto de irmos sentados, ouvindo músicas de uma banda que mais gosta e em um cantinho tranquilo, ao invés de ter a preocupação com as pessoas dentro do ônibus que, por vezes, são mal educadas, berram sem ter o menor sentido ou quando não resolvem ouvir um funk no último volume e, claro, você tendo que obrigatoriamente aceitar ou puxar a “cordinha” e descer no próximo ponto.

Vale lembrar que o nosso espaço aqui não quer mostrar o lado certo ou errado da história – se é que ele existe – mas, sim propor um debate que ajude na construção de uma cidade melhor para todos, tanto os usuários do transporte coletivo quanto os donos de automóveis.

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Uma resposta to “SP: a cidade das faixas de ônibus”

  1. Jhonatan Ezino 21/10/2013 às 22:12 #

    Parabéns pelo texto. Eu também apoio essa iniciativa, pois até agora o carro era mais importante e isso vem facilitando muito a vida de vários Paulistanos e sendo exemplo em cidades vizinhas como Barueri onde trabalho que adotou a faixa exclusiva para ônibus na Alameda Araguaia. Isso tem ajudado muito o pessoal que precisa sair para a Castelo Branco ou pegar o trem em Carapicuíba. Apenas um ponto sobre a Francisco Matarazzo, pois essa avenida já possui um Corredor de Ônibus e a faixa exclusiva funciona de forma complementar.

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