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Um dia inesquecível – Parte II

20 fev

Segue a segunda parte do texto apresentado para a aula de Jornalismo Cultural do professor Renato Modernell no curso de Jornalismo Contemporâneo da Universidade Mackenzie.

Ao chegar à frente do padre, teve o maior susto de sua vida. Ainda atordoada, fitou bem os olhos daquele rapaz que a esperava e perguntou:

– O que está acontecendo aqui, João? disse Mariana com a voz já embargada e a certeza que seu futuro cunhado estava no lugar do irmão gêmeo.

Com a boca seca, as pernas trêmulas e com dificuldades para articular as palavras, João apenas balbuciou: eu te amo!

Ainda sem entender o que estava acontecendo, Mariana começou a chorar. Até que uma das madrinhas a chamou e a levou para um canto reservado da igreja.

– Mariana, o Júlio não suportou a pressão de ter uma família, ele achava que não conseguiria te fazer feliz. Por isso desistiu. Eu estava a caminho do salão para te contar, quando o João teve essa ideia. Ele não queria te ver sofrer pela falta de coragem do irmão e como são tão parecidos…. No começo relutei, mas depois lembrei de todos os seus sonhos e planos e acabei aceitando participar dessa história.

Sem chão, Mariana ouvia cada palavra e lembrava dos momentos ao lado de Júlio e como João sempre demonstrou um carinho especial por ela. Como Júlio poderia ter sido tão covarde a ponto de deixá-la no altar? E ainda quanto amor sentia João a ponto de aceitar se passar por outro para que ela não sofresse?

Após muito chorar e pensar, Mariana tomou uma decisão. Pediu que chamassem João, olhou no fundo de seus olhos e disse:

– Nenhum relacionamento pode começar com uma mentira, então quero ouvir de você: por que fez isso?

Sem titubear, João disse: porque eu te amo.

E a marcha nupcial voltou a tocar na igreja.

Um dia inesquecível – Parte I

19 fev

Mais um texto apresentado para a aula de Jornalismo Cultural do professor Renato Modernell no curso de Jornalismo Contemporâneo da Universidade Mackenzie.

Aquele dia era o mais importante na vida de Mariana. Ela sonhara e planejara aquele momento desde que era pequena. Ali, à sua frente, a porta que a levaria à uma nova vida.

O burburinho vindo de dentro do local tornava-se cada vez mais intenso. Ao sinal de uma pessoa próxima, começou a música. Era a marcha nupcial. De repente, as portas da igreja se abriram e Mariana iniciou seu caminho rumo a uma nova página em sua trajetória.

Mas, havia algo estranho no ar. Parte dos presentes ainda falava muito e o som da conversa alta irradiava igreja a fora. A outra parte dos convidados – curiosamente chamados por Mariana – estava tão perplexa com a situação que não conseguia compreender o que estava acontecendo.

Mariana tomada pela emoção da realização de um sonho, ainda não havia percebido, mas aquele dia seria totalmente diferente do que ela havia planejado com tantos meses de antecedência.

Para entender aquela situação, era preciso voltar no tempo e conhecer Júlio – o noivo de Mariana. Os dois se conheciam desde quando eram crianças, haviam crescido juntos e mantiveram uma verdadeira paixão de adolescentes.

Com o passar dos anos, o namoro seguia em frente, mas o sonho de casar de Mariana era tão grande que pouco importava a vida que seu noivo levava.

Júlio era um bon-vivant na melhor das definições. Apesar de gostar de Mariana, não estava disposto a dividir o restante dos seus dias ao seu lado. Comprometido com o casamento, ele tinha medo de decepcionar a família e os amigos, por isso levava a situação em banho-maria até que chegou o dia da cerimônia.

Enquanto caminhava rumo ao altar, Mariana saiu do transe e percebeu que algo realmente muito estranho estava acontecendo.

Ponto final

11 fev

Escolhida pelo professor Renato Modernell como a melhor crônica da disciplina de Jornalismo Cultural, o texto escrito pela pós-graduanda Paula Silva merece ser publicado aqui no blog.

Por Paula Silva

Pegar ônibus é uma grande experiência antropológica. Naquela volta para casa, inalando fragrâncias de desodorante “Avanço” e salgadinho de milho, eu esperava apenas ouvir mais uma história entre desconhecidos. Claro, sem participar do diálogo, apenas como um passatempo que encurta a viagem. De política aos últimos capítulos da novela, tudo se ouve na lotação.

Estava de pé, tentando o equilíbrio, com a mochila pesada nas costas e invejando o conforto da pessoa sentada à minha frente. Numa olhada para o fundo do ônibus, levo um susto. Lá está ele: óculos de aro grosso, costeletas e distraído com o fone de ouvido. Havíamos terminado o namoro há mais de três anos. Senti um frio na espinha. Vi meu reflexo no vidro: olheiras, cabelo despenteado e… meu Deus! A pior roupa possível. Não me imaginava assim num reencontro.

No dia em que parecemos sobreviventes de guerra, encontramos com as pessoas que mais queremos impressionar.  Num certo arrebatamento, como quem participa de uma corrida com obstáculos, passei por sacolas pelo chão, pulei uma bengala, desviei das caixas de chiclete do vendedor ambulante e me apertei para passar pelo corredor estreito. Parei ao seu lado. Despretensiosa, ajeitei o cabelo e esperei que ele me reconhecesse.

Após uma breve surpresa, meu ex-namorado iniciou a conversa. Perguntou onde eu estava trabalhando e como andava a minha família. Respondi sem muitos detalhes. Não pude deixar de reparar na aliança dourada, reluzente em sua mão direita. “Estou noivo”.  Dali em diante, eu mudei drasticamente o meu comportamento. Eu precisava falar, afinal a vida estava bem melhor sem ele.

Contei sobre minha viagem à Europa, passando por Paris, Barcelona e Amsterdam. Os estudos iam muito bem, obrigada! Estava finalizando o mestrado em Arte. Meus esforços no trabalho haviam sido recompensados com uma promoção. Só utilizava o transporte público por uma questão ambiental, “eu me tornei muito engajada”, disse a ele. O doutorado eu faria no exterior, estava me decidindo. Também tinha planos de morar fora porque o país estava muito violento, impossível de viver. Retomei o fôlego e dei o sinal. “Poxa, nem perguntei sobre você. Fica para a próxima.” Desci do ônibus e pensei que já estava na hora de tornar tudo isto verdade.

A tecnologia nossa de cada dia – Parte 2

5 fev

Este texto foi escrito para a aula de Jornalismo Cultural, ministrada pelo professor Renato Modernell, no curso de pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo do Mackenzie. Por se tratar de um texto longo, será publicado em duas partes.

O medo tomava conta de Diego, mas a opção de ficar em casa e esperar a solução do problema não era a mais viável. Ele tomou coragem, pegou seu antigo bloquinho de notas empoeirado e saiu às ruas.

Não sabia por onde começar, afinal de contas não tinha o buscador da internet para encontrar telefones e endereços que poderiam ser úteis.

Lembrou de um antigo professor de teoria da comunicação da faculdade que certamente poderia ajudá-lo e decidiu procurá-lo para tentar entender o que estava acontecendo e como poderia sair daquela situação.

Ao chegar na casa do professor, Diego foi logo entrando. Avesso à tecnologia, o velho mestre nem havia notado o pandemônio que estava acontecendo na cidade devido à falta de comunicações e estranhou a chegada daquele rapaz que mal prestava atenção em suas aulas.

Após alguns minutos de conversa, Diego finalmente sabia que havia escolhido a pessoa certa. Sob um lençol empoeirado, estava um velho rádio amador que o professor pôs logo a funcionar com uma bateria de carro.

Na mesma frequência, um velho amigo do departamento de comunicações instalado na capital do país explicou ao professor que as autoridades competentes tentavam a todo custo tentar solucionar o problema, mas que o ataque havia sido bem orquestrado e não havia previsão de retorno à normalidade.

Diego então tomou o rádio da mão do professor, se apresentou e pediu para falar com o responsável pela operação. Após alguns momentos de conversa, Diego conseguiu entender o que estava acontecendo e em um start encontrou o fato que causou o problema.

A ideia de Diego foi o ponto que a equipe precisava para solucionar o caos. Em pouco tempo, todas as comunicações foram restabelecidas e Diego pode então entender que a tecnologia é necessária, mas nada substitui o contato humano.

A tecnologia nossa de cada dia – Parte I

4 fev

Este texto foi escrito para a aula de Jornalismo Cultural, ministrada pelo professor Renato Modernell, no curso de pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo do Mackenzie. Por se tratar de um texto longo, será publicado em duas partes.

computador 2O profissional da comunicação do século XXI está cada vez mais dependente da tecnologia. O simples fato de faltar energia elétrica ou uma falha em algum sistema compromete o bom desenvolvimento do trabalho.

O jornalista atual não consegue realizar sua função sem que haja um computar conectado à internet. Isto é um fato que vem se agravando com o passar dos anos.

A evolução tecnológica quebrou paradigmas, derrubou barreiras, aproximou povos e tornou tudo mais rápido e ágil. A notícia é veiculada em tempo real, enquanto acontece. E esse novo panorama vem modificando o modo de viver de muitas pessoas.

Neste contexto vive Diego, o personagem de nossa história. Formada em jornalismo, Diego trabalha como redator da página de tecnologia de um grande portal de internet do país.

Vive e respira as tendências em gadgets e as novas apostas do mercado para o futuro. Sua primeira ação ao abrir os olhos pela manhã é pegar o smartphone e checar a caixa de e-mails, para ver se não aconteceu algo surpreendente durante a madrugada. Nestes três anos em que realiza este ritual, nunca aconteceu nada de extraordinário.

Viciado em internet, Diego liga o computador assim que termina de fazer sua higiene pessoal matutina – nem para tomar café da manhã ele desgruda do notebook – checa o e-mail novamente, abre as principais páginas sobre tecnologia e inicia o seu dia de trabalho.

Receoso, o internauta tem duas maneiras de ficar 24 horas conectado. Caso o sistema de banda larga de sua residência venha a falhar, ele pode contar com o modem 3G que já fica pré-instalado no computador.

A manhã daquela terça-feira parecia normal como todas as outras. Diego já havia feito tudo aquilo que estava acostumado e já estava em frente ao seu computador buscando informações para sua coluna.

De repente, a energia elétrica acabou. Como a bateria do notebook era de última geração, Diego nem se preocupou pois havia carga suficiente para um dia inteiro de trabalho. A questão da internet também estava resolvida. O modem 3G forneceria a tão necessária internet naquele dia.

Mas algo estranho estava acontecendo e mesmo precavido contra todos os infortúnios, Diego ficou sem conexão com a internet.

Naquele momento, a dependência tomou conta do corpo de Diego e tal qual um viciado ele começou a ter calafrios. Não entendia o que estava acontecendo, pois mesmo sem energia já havia trabalhado normalmente em outros dias.

Com muito custo, conseguiu sintonizar através do rádio de sua avó uma emissora AM que estava escondida do dial. Naquele momento, a única fonte de informação de Diego, o rádio transmitia notícias nada agradáveis.

Um atentado cibernético derrubara todas as comunicações no país. Emissoras de rádio e televisão, portais de internet, telefones estavam simplesmente fora do ar.

A própria emissora só conseguia chegar às poucas residências, pois seu transmissor de pequena potência estava fora do alcance dos responsáveis pelo ataque.

A esta altura desesperado e atônito com a situação, Diego tinha uma nova experiência em sua vida: como lidar com o mundo off line? Como sair de casa e ir em busca das informações?

Um lugar especial

26 jan

Este texto foi escrito para a aula de Jornalismo Cultural, ministrada pelo professor Renato Modernell, no curso de pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo do Mackenzie.

clipart sala de aulaEla sempre esteve lá. Na verdade desde que começou a construção do local onde permaneceria até os tempos atuais. Após ver seus primeiros tijolos serem dispostos ainda na década de 1960, ela sabia que jamais sairia dali.

Seu endereço era um nobre bairro paulistano e por suas janelas já haviam visto passar boa parte da história da cidade, desde o confronto entre estudantes na rua embaixo que marcou época até milhares de manifestações que repercutiram em todo o país.

Assuntos como as fórmulas da física quântica, passando pelas estruturas do cérebro até a organização política dos astecas já foram tratados e discutidos exaustivamente nela.

As posições contrárias sempre fizeram parte do debate e ajudaram a enriquecer o repertório de milhares de pessoas que por ali passaram.

Apesar da situação completamente paradoxal, pois sua existência é completamente imóvel, a sala de aula é um organismo vivo no qual a cada dia novos aprendizados são compartilhados, novas histórias são contadas e muito momentos são vividos.

A explicação para essa teoria é fácil. Basta entender que por suas mesas e cadeiras passam pessoas de todo o tipo. Cada uma com vivências únicas, que unidas dão corpo, voz e vida para aquele local que até então parece inanimado.

Quantas são as trocas de conhecimento entre os estudantes? E as experiências vividas por professores e alunos?

São tantas as histórias vivenciadas que o ditado “se aquelas paredes falassem” ganha cada vez mais sentido. Toda sala de aula merece um diploma ao fim do ano letivo.

Contos e Crônicas

21 jan

Um dos muitos aprendizados que conquistei no ano de 2013 durante a pós-graduação do curso de Jornalismo Contemporâneo no Mackenzie foi durante a disciplina de Jornalismo Cultural com o professor Renato Modernell.

Sempre gostei de escrever textos que julgava serem crônicas, mas após as aulas com o professor Modernell aprendi que na verdade tratavam-se de contos.

Mas, afinal qual a diferença entre conto e crônica?

O conto se destaca por ser uma narrativa curta e tem poucos personagens. A trama pode acontecer na vida das pessoas, mas não é comum que ocorra a todos.

Já a crônica narra fatos do dia a dia, relatando o cotidiano das pessoas com forte presença da ironia e do sarcasmo.

Agora que esta diferença foi explicada, alterei a categoria do blog e teremos então contos e crônicas. Em breve, publicarei os textos preparados para a aula de Jornalismo Cultural.

Crônica: A arte de ser bem educado

16 jun

Denilson era cobrador de ônibus. Todos os dias deixava sua casa no extremo da zona oeste de São Paulo e rumava para a garagem, onde, religiosamente, chegava às 15h e 10 minutos depois já estava nas ruas da cidade para suas 8 horas de trabalho. Às 23h, depois de mais um dia, voltava para casa com a sensação de dever cumprido.

Assim como todos os cobradores, Denilson fazia seu trabalho com esmero. Sempre que solicitado, lá estava ele para passar o troco. No entanto, duas particularidades chamava a atenção em Denilson: seu bom humor e sua educação.

Sempre disposto e alegre, o educado cobrador fazia questão de cumprimentar cada passageiro que entrava no coletivo com um sonoro boa noite. Fosse o estudante cansado ou a senhora atrasada, lá estava Denilson com seu sorriso largo.

Maitê era auxiliar de farmácia. Totalmente, desmotivada em seu trabalho a garota havia saído do serviço e no retorno para casa acabara cruzando o caminho de Denilson.

O bom humor de Denilson logo caiu como a mais grave das ofensas para Maitê. Como aquele cara distribuía sorrisos e gentilezas ao mundo, se a vida de pessoas tão próximas estava prestes a desmoronar?

Ao passar pela catraca, Maitê ouviu o sonoro e constante boa noite de Denilson, mas sua rabugice a impediu de responder e o pobre cobrador ficou no vácuo, como diz a gíria usada pelos jovens atualmente.

Aquele descaso bateu como um desaforo para Denilson que logo retrucou: “além de mal-humorada, mal-educada”.

A frase foi um estopim para a discussão. Amarga com a vida, Maitê disse impropérios impublicáveis neste espaço e acabou com a raça de Denilson.

Na primeira cadeira do ônibus, D. Dirce uma senhora bem sábia, observava a tudo.

Após o fim do monólogo de xingamentos contra Denilson, Maitê sentou-se e acreditou ter colocado um ponto final na história.

Então D. Dirce passou para o lado de trás do ônibus e ficou bem ao lado de Maitê.

Com a voz calma que toda avó carrega disse: Minha filha, nestes muitos anos que vivi nunca vi um rapaz exercer sua profissão com tanto empenho e carinho. Fiquei surpresa com tamanha educação e bom humor. Não estamos acostumados a pessoas alegres e divertidas em nosso caminho. Acho que ele merece um pedido de desculpas.

Ao ouvir estas palavras, Maitê percebeu que descontara toda sua ira em Denilson e que ele não era o culpado de suas mazelas. Envergonhada, decidiu se desculpar. Após falar com o cobrador, a jovem percebeu que nem tudo na vida era rabugice e que ainda hoje há pessoas que mesmo com todos os problemas ainda podem ser bem educadas e fazem bem seu trabalho.

Um sopro de vida

2 set

Desde pequena Ana era especial. Mal saía à rua para brincar e logo voltava para casa cansada e sem ar.

Vendo a situação, sua mãe a levou ao médico e o temível diagnóstico não tardou a chegar: um dos pulmões de Ana não havia se formado completamente e ela teria que permanecer o restante de seus dias ligada a um balão de oxigênio.

O que para muitos seria um atestado de incapacidade, para Ana soou como uma oportunidade de vida. Mesmo atada aquele instrumento, a pequena menina sentia o ar entrar em seu corpo e dali retirar forças para viver.

Foi com o equipamento que Ana viveu inúmeros anos e jamais se questionou o por quê. Apenas viveu e agradeceu pelo ar que respirava.

Nota do cronista – Este jornalista nada entende de medicina, logo as eventuais discordâncias com a realidade se explicam pela chamada “licença poética”.

O salão sobre trilhos

29 abr

Acordar às 5 da manhã e ficar pronta em 15 minutos não era a tarefa mais fácil da vida de Bruna.

Secretária executiva de uma famosa multinacional, a garota sempre era vencida pelo sono profundo – resultado da graduação em secretariado cursado à noite.

Para conciliar estudos, trabalho e – maquiagem – Bruna se valia de uma técnica cada vez mais comum nos meios de transporte sobre trilhos de São Paulo: a automaquiagem instantânea.

Entre uma estação e outra, diversos modelos eram sacados da pequena nécessaire e assim a moça com cara de que havia acabado de acordar transformava-se na mais apresentável das secretárias.

Bastavam apenas poucos minutos para Bruna concluir sua maquiagem e chegar ao trabalho como se estivesse arrumada desde a saída de casa.

Para surpresa e alívio de Marcos, seu superior direto, Bruna sempre comparecia devidamente maquiada – como pedia seu cargo na diretoria. Mal sabia ele que toda aquela produção acabara de ser realizada nos vagões do trem a caminho do trabalho.