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Machado na rede

29 abr

machado de assisQuer tentar descobrir o segredo de Capitu? Ou ainda ler as memórias dedicadas a um verme? Pois então, o site machado.mec.gov.br é o seu lugar.

Criado para lembrar o centenário da morte do maior escritor brasileiro de todos os tempos, a página traz a obra completa de Machado de Assis, além de vídeos e informações sobre a vida do autor.

Considerado um dos pais do realismo no Brasil, Machado é sem sombra de dúvidas o maior expoente de nossa literatura.

Idealizador de clássicos como Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas, o escritor tem nesta singela homenagem a oportunidade de ser conhecido e reconhecido por seus compatriotas.

As vozes de Machado

20 fev

Antes de iniciar novamente este texto vale relembrar que não sou um estudioso em literatura e sim apenas um fã de Machado de Assis, que gosta de palpitar sobre o tema.

Na instigante obra do escritor uma característica é notável: a magistral utilização do narrador na história.

Se em outros autores essa informação em nada acrescenta ao romance, sendo o narrador apenas um ‘contador’, em Machado tudo muda de figura.

A leitura das obras machadianas – principalmente os romances – leva a uma série de perguntas fundamentais: quem está contando esta história? Qual sua intenção ao contar essa versão? A parte retratada teve direito a resposta?

Para exemplificar esse conceito, utilizo quatro livros de Machado:

Memórias Póstumas de Brás Cubas – Aqui temos um defunto-autor, não propriamente um autor-defunto, mas alguém que já está morto e por isso não tem mais compromisso com as imposições da sociedade. Com sua ironia refinada e humor sarcástico, Brás Cubas narra sua história repleta de infortúnios.

Dom Casmurro – Aqui está a pergunta secular a intrigar os apaixonados pelos textos de Machado: Capitu traiu ou não Bentinho? A resposta dessa pergunta vem com outras: Quem conta a história? Quais são as intenções de Bentinho? Qual a versão de Capitu para os fatos? O  conhecido “Bruxo do Cosme Velho” deixou até hoje inúmeros questionamentos em sua vasta obra.

Memorial de Aires e Esaú e Jacó – São o ápice do uso do narrador como ‘personagem da história’. No primeiro livro, todas as ações nos são apresentadas pela ótica do Conselheiro Aires, desde os sentimentos dos envolvidos até o desenrolar das tramas. Já em Esaú e Jacó, o próprio Aires é um personagem.

Percebemos então que Machado de Assis soube utilizar o narrador como parte de sua obra. Logo o entendimento dos textos passa pela identificação deste ‘contador’ e principalmente pela sua ação dentro da história.

Os filhos de Machado

19 jan

Antes de iniciar propriamente dito este texto, gostaria de dizer aqui que não sou um estudioso de literatura, muito menos especialista no assunto. Apenas sou um fã da obra machadiana e como leitor de seu trabalho, gostaria de apontar ideias que me surgiram durante os anos.

Como é de conhecimento geral, Machado de Assis foi casado durante mais de 35 anos com Carolina e desse relacionamento não tiveram filhos. Eis então que surge a ideia deste post.

Em seu último capítulo de Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado encerra a obra como a seguinte frase de seu famoso personagem:

“Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria”.

Já em Memorial de Aires, o bom casal Aguiar também não tem filhos legítimos, adotando de coração a viúva Fidélia e o jovem Tristão. No entanto, o casal segue para Portugal deixando ‘órfãos’ os pais de consideração.

Ao retratar de forma ‘cruel’ a partida e o estado como ficaram D. Carmo e o marido, Machado demonstra, ao meu ver, como são ingratos os filhos.

Esta relação ao descrever filhos, pode tentar explicar uma possível frustração do escritor por não ter sido pai. Este seu desapego pode evidenciar esta afirmação. No entanto, assim como outros mistérios envolvendo a vida de Machado de Assis, isso tudo não passa de conjecturas de um jovem blogueiro.

Esse Aires

10 jan

Li o “Memorial de Aires” após a leitura de “Esaú e Jacó”. Os dois últimos romances de Machado de Assis tem como personagem o famoso conselheiro.

No seu Memorial, Aires conta a história de amor da viúva Fidélia e de Tristão, seu então futuro marido. No entanto, para entrar no enredo propriamente dito, Machado apresenta o bom casal Aguiar.

Formado pelo marido pela amável D. Carmo, os dois parecem viver felizes, apesar da falta de filhos legítimos. Afilhado do casal, Tristão vai com a família para a Europa de onde retorna anos depois para alegria dos padrinhos e da viúva que se encanta pelo jovem.

Novamente apresentados a um estilo único, onde o narrador não age diretamente na história, temos o enredo contado por um terceiro, sem sabermos realmente quais os sentimentos dos personagens principais.

Assim como toda a obra machadiana, recomendo a leitura de “Memorial de Aires”, pela riqueza do vocabulário ou simplesmente pela aproximação com o texto do bruxo do Cosme Velho.

A ironia machadiana

27 nov

Caros leitores não me esqueci da sessão “Machado de Assis”, apenas interrompi por algum tempo a publicação das notas. Segue agora uma pequena análise de um tema muito recorrente na obra do escritor: a ironia.

Sempre fina e velada, a ironia machadiana é recorrente em seus livros e contos. Selecionei abaixo dois dos maiores expoentes dessa característica, ao meu ver. Vale lembrar que são infinitas os temas irônicos abordados por Machado em sua obra.

“A virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo” Rita, no conto A Cartomante.

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”, Brás Cubas, em suas memórias póstumas.

Percebe-se claramente nos trechos como para o autor, o amor e o interesse material estão intimamente ligados, sendo o dinheiro e as posses as forças motrizes para embasar as relações amorosas.

Paulus e Petrus

9 maio

Conforme disse, além de alguns contos, já li dois romances célebres de Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas e Dom Casmurro. O primeiro por imposição do vestibular e o segundo por curiosidade.

No entanto, após ganhar de presente o “Almanaque Machado de Assis” fui instigado a ler “Esaú e Jacó” e “Memorial de Aires”. Não farei aqui uma crítica das obras. Primeiro por que não me sinto capaz para tanto e segundo, por que quero terminar de ler o almanaque para assim poder apresentar as minhas opiniões.

Apenas fica registrada aqui uma advertência – como o próprio Machado faz na obra. O livro foi ‘encontrado’ junto as anotações do Conselheiro Aires, fazendo deste mais do que um mero personagem da obra, mas o seu fiel contador.

Este post, então, tem por assunto a história de Paulo e Pedro – daí o título – narrada em Esaú e Jacó. Irmãos gêmeos, os rapazes tem um acirrado espirito de rivalidade – consta até que brigaram no ventre da mãe.

Após narrar o crescimento dos irmãos, o autor mostra a distância ideológica entre eles. Perguntados pelas idades, Paulo responde: Nasci no aniversário do dia em que Pedro I caiu no trono. Já Pedro diz: Nasci no aniversário do dia em que sua majestade subiu ao trono.

Vale lembrar que a obra se passa no final do Império e início da República. Esta aí um ponto a ser destacado. No capítulo “O Caso da tabuleta”, Machado usa de uma metáfora para ilustrar a cidade do Rio de Janeiro, em 1889.

Custódio dono da antiga “Confeitaria do Império” é convencido a mudar as cores da tabuleta – espécie de faixa de identificação – de seu negócio. No entanto, com a mudança de regime, o comerciante se vê prejudicado, pois não pode alterar o nome para “Confeitaria da República”.

Metaforicamente, Machado de Assis insere seus personagens no contexto histórico que certamente movimento a sociedade no final do século XIX. A linha de intersecção entre literatura e história chega ao seu auge.

Novamente, a obra machadiana mostra se superior a seu tempo, mostrando relatos históricos, mas gerando discussões séculos depois.

Quanto ao resumo de livro, fica aqui a nossa indicação de leitura. Resumir uma obra dessa magnitude não seria um fato positivo, mas lançar o convite a conhecer a obra, sim.

Simplesmente Machado

9 maio

Hoje iniciamos um novo capítulo – literalmente – no Leia e Opine. A partir de agora, caro leitor, você terá uma categoria exclusiva dedicada ao maior nome de nossa literatura: Machado de Assis.

Dicas, resenhas, livros e tudo o que envolve a história daquele que é considerado o precursor de muitos movimentos e fundador da Academia Brasileira de Letras serão temas de novos posts.

O signatário deste blog foi apresentado a obra Machadiana durante a preparação para o vestibular. Sim, precisei chegar aos 17 anos para conhecer o “Bruxo do Cosme Velho”, mas neste caso, o ditado vale a pena: antes tarde do que nunca.

Ler Memórias Póstumas de Brás Cubas é um dever de todo brasileiro, mas não só a obra que inaugurou o Realismo em terras tupiniquins e sim todo o acervo de crônicas, contos, ensaios e romances de Machado.

Vamos aqui tentar entender e desvendar os segredos deixados por Machado em sua obra. A tarefa não é das mais fáceis, pois mesmo mais de 100 após a sua morte, o escritor prega peças e deixa o leitor com a pulga atrás da orelha. Venha nessa!