Tag Archives: Jornalismo

Em defesa da biblioteconomia

4 mar

Antes de começar este texto propriamente dito vale aproveitar o espaço que o blog permite e acabar com um dos mitos do jornalismo: a imparcialidade. Apesar da busca incessante pela verdade e por apontar os dois lados da história, todo profissional sempre abordará um tema com um olhar embasado em sua trajetória e seu repertório.

clipart bibliotecarioÉ bom também deixar claro que a minha vivência com uma bibliotecária – que ama seu trabalho – foi o mote para esta defesa em público de uma profissão estigmatizada e tão mal interpretada.

A capa da revista Época, de 21 de fevereiro, trazia a seguinte manchete: “Seu trabalho tem futuro?” com o subtítulo: “As profissões condenadas a desaparecer – e aquela que resistirão às novas tecnologias”. Mas, ao ler a matéria em si, não havia nenhuma informação sobre as profissões que poderiam desaparecer e sim um panorama daquelas que sobreviveriam ao avanço da tecnologia.

Para minha surpresa, um gráfico mostrava a relação das profissões que dificilmente desaparecerão e aquelas que estão com os dias contados. Na ponta da lista – prestes a desaparecer – estão: técnico em matemática, bibliotecário e operador de telemarketing com 99% de ameaça de não existirem mais.

Baseada no estudo americano “O futuro do emprego”, de Carl Frey e Michael Osborne, a matéria não diz claramente o por quê estas profissões tendem a desaparecer, mas aponta critérios para que terapeutas e psicólogos, por exemplo, não se preocupem com o futuro.

Segundo o estudo, “máquinas são menos capazes de superar: percepção e manipulação, inteligência social e criatividade” e por isso algumas profissões têm maiores chances de desaparecer.

O problema da matéria, em relação aos bibliotecários, é não ter ouvido o outro lado da história – princípio básico do bom jornalismo.

Coordenadora do curso de Biblioteconomia e Ciência da Informação da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FaBCI/FESPSP), Valéria Valls, explica a função do bibiotecário:

“O bibliotecário atua como um mediador entre a informação (que pode estar num suporte clássico como um livro ou até em fontes de informação na própria internet) e o usuário dessa informação. Costumo dizer que ele não é um mero “garçom”, que entrega o pedido, mas um “maitrê”, que deve conhecer muito bem o que é servido, o cardápio, as combinações”.

Como podemos ver, a profissão de bibliotecário vai muito além de simplesmente pegar um livro e emprestá-lo para um usuário. Só quem já ouviu falar de política de descarte e desenvolvimento de coleção pode entender que sim há futuro para os profissionais da área.

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Os desafios da nova comunicação

4 nov

Nesta terça-feira, 05, a Pós-Graduação da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado) oferece a palestra “Os desafios da nova comunicação”, a partir das 19h30.

Com o tema voltado as mudanças na relação entre jornalistas e empresas, a palestra visa apresentar os resultados da pesquisa “Sondagem Nacional de Jornalistas: a relação entre repórteres e assessores”.

Para participar, clique aqui. O ingresso é solidário: R$ 10,00 ou 2 kg de alimentos não perecíveis.  A FAAP fica na rua Alagoas, 903, Prédio 5, Higienópolis.

 

PUC: oficina gratuita para jornalistas

18 out

Na sexta-feira, 01/11, a PUC realiza uma oficina sobre o uso das redes sociais no trabalho do jornalista. Marcado para acontecer das 14 às 17h30, o evento acontece na sede da instituição.

Com a presença dos professores Pollyana Ferrari, José Luiz Goldfarb e José Cossermelli, o encontro visa discutir temas como os novos modos do fazer jornalístico, a produção de conteúdo e o impacto das redes sociais nas notícias.

Os jornalistas interessados devem enviar um e-mail para imprensa@pucsp.br com nome, veículo, telefones fixo e celular e e-mail. As vagas são limitadas. Mais informações, ligue: 3670-8334.

Bonner, Losekann e a mudanças na Globo

27 ago

Já havia comentado aqui antes sobre a intimidade no telejornalismo na Globo. Lendo o livro do Heródoto Barbeiro, deparei-me com a seguinte declaração:

“Outro desafio era a quebra do paradigma de que o apresentador de notícias não podia rir ou mostrar qualquer tipo de emoção. O par de algemas era representado pelo TP, o tele prompter, onde está tudo escrito, as notícias e as ordens emanadas do veículo”.

Esta declaração serviu de base para um comentário que gostaria de ter feito antes, mas não o fiz por falta de tempo.

Na edição do Jornal Nacional do dia 13, Willian Bonner, ao chamar uma matéria sobre as mudanças nos critérios de concessão das tarifas sociais de energia elétrica, citou o fato do repórter Marcos Losekann ter deixado o posto de correspondente após 13 anos e voltado ao Brasil para integrar o time da sucursal de Brasília.

Este um fato de bastidor, ganhou notoriedade e comprovou a tese de que o telejornalismo da Globo está em busca de novas linguagens, tentando se aproximar cada vez mais do público.

O que a vida me ensinou – Heródoto Barbeiro

25 ago

capa o que a vida me ensinou Herodoto BarbeiroA coleção “O que a vida me ensinou”, da Editora Saraiva, reuniu grandes profissionais para contar suas histórias de vida. Aqui no blog, já comentei sobre a obra de Washington Olivetto e hoje o escrevo sobre o apresentador Heródoto Barbeiro.

Ao longo do livro, Heródoto fala sobre o budismo – religião que adotou depois de adulto – e variados temas sobre a importância de praticar o bem aos demais seres que povoam a Terra.

Frases como “A vida me ensinou a ser paciente e não me preocupar se o caminho era longo, mas em dar passo atrás de passo e manter a visão estratégica no final da estrada”;  “A vida me ensinou que não é possível viver sem ler, sem aprender alguma coisa com um livro ou com alguém” pontuam todo o texto.

Já na área da comunicação, destaque para ensinamentos como:

– A dúvida é parte fundamental do processo jornalístico;

– Fazer jornalismo é mais do que divulgar notícias, é ajudar a sociedade a se educar e crescer;

– Em um veículo de comunicação, o foco de qualquer atividade é o conteúdo, a tecnologia é um meio para sua transmissão;

– Quem trabalha com comunicação precisa entender que o que produz flui pelas redes de conexões indeterminadas e são as pessoas que produzem conexões com outras pessoas;

– Ninguém faz jornalismo sozinho, sempre há uma equipe que auxilia;

– O jornalista e o historiador se parecem muito, ainda que um olhe para o presente e o outro para o passado;

– Os historiadores contam e recontam os processos do passado, e os jornalistas do cotidiano.

Heródoto também derruba o paradigma de que para se trabalhar na televisão é preciso ser bonito – ponto de vista este ainda hoje defendido pelo signatário deste blog.

Ele defende que com o advento de canais como a CNN, os apresentadores não precisavam ser galãs, mas ter técnica apurada.

Por fim, uma frase do mestre Cláudio Abramo sintetiza o livro:

“O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter”, Cláudio Abramo.

 

Assessoria de Imprensa – Os dois lados da moeda

3 jul

Na sexta-feira, 12, a Livraria Martins Fontes na avenida Paulista recebe a oficina “Jornalismo + Assessoria de Imprensa – Os dois lados da moeda” com a jornalista Fátima Chuecco.

Mostrando as vantagens e os pontos delicados de cada função, a palestra visa apresentar também explicações sobre o home office e o jornalismo solidário.

Marcada para começar às 16h30, a atividade tem duas horas de duração e taxa de participação de R$ 30,00. As vagas são limitadas e os participantes ganham certificado e apostila em CD.

Inscrições podem ser feitas pelo e-mail: jornalistafatima@r7.com

A Livraria Martins Fontes fica na avenida Paulista, 509.

 

O banal não é normal

1 jul

Após o signatário deste blog escrever aqui sobre o uso do rádio escuta para a criação e desenvolvimento de pautas – explicando a grande escalada de notícias violentas em nossos telejornais – nossa colaboradora Vanessa Vieira mostra o lado da “audiência”.

Por Vanessa Vieira

Há pessoas que ficam deprimidas ao final dos noticiários. Há outras que optam por nem ver/ouvir tais programas já que são apresentadas somente notícias ruins. Não que isso signifique viver no famigerado “mundo de Poliana” (só com notícias agradáveis), mas o fato é que ninguém quer chegar em casa após um longo dia de trabalho e só se deparar com calamidades.

Se ao menos os noticiários tivessem uma estrutura repensada, poderiam diminuir o aborrecimento em lhes assistir/ouvir e, quem sabe, prestar um serviço de interesse público de mais qualidade. Sabemos que são inúmeras reuniões para discussão de pauta, mas a curiosidade das pessoas em relação aos assuntos essencialmente negativos sempre vence e o que vemos são matérias sobre violência, desastres, guerras.

A proposta seria que os noticiários apresentassem tais notícias ruins (uma vez que são retrato da realidade), mas na sequência, mostrassem o que está sendo conduzido no executivo, legislativo e judiciário para resolver cada problema, independente da escala: municipal, estadual, federal, mundial.

A imprensa tem papel fundamental na construção da realidade, por materializar os acontecimentos. Cabe a nós, “a audiência”, cobrar por um serviço de qualidade, exigindo investigação, questionamento, diálogo entre os envolvidos, ou seja, desejamos mais notícias sobre propostas e soluções, ao invés de extensas coberturas sobre o mais do mesmo que não vão agregar informação nova e útil para nossas vidas.

O momento é de usar as redes sociais ou outros canais como ombudsman, sites, e-mail, para cobrar da imprensa uma cobertura de qualidade, fazendo com que ela não ceda maior espaço para minorias (a exemplo dos vândalos parasitas nas atuais manifestações) e nos possibilite ter uma visão mais ampla e estratégica da própria realidade, de modo que não deixemos que o banal se incorpore ao normal.

 

A cultura do Bad News

22 jun

O mestre Luis Fernando Vitral nos dizia que, infelizmente, “Bad News, Good News”, ou seja, “Más Notícias, Boas Notícias”.

Isso por que o senso comum tende a buscar naturalmente tragédias e desgraças, ampliando a audiência e a procura pelos assuntos em jornais impressos e televisionados.

A alta na escalada de violência – há cada vez mais a divulgação de casos assustadores  – pode ser explicado por uma ferramenta muito utilizada por emissoras de TV, rádios, portais de internet: o famoso rádio escuta.

Ligado diretamente nas frequências da polícia e do Corpo de Bombeiros, esses aparelhos fomentam diversas pauta, desde programas policiais de extremo caráter popularesco até os principais telejornais do país.

Manuel Chaparro na Câmara Municipal

10 jun

Nesta sexta-feira, 14, o professor Manuel Chaparro participa do debate sobre ética jornalística na Câmara Municipal de São Paulo.

Com início previsto para às 16 horas, o evento é aberto ao público e tem vagas limitadas. É preciso fazer inscrição previamente pelo telefone 3396-4900 (com Guilherme ou Mário, das 9h às 19h30).

Biografia – Idealizado do blog “O Xis da Questão” , voltado para discutir mídia, jornalismo e atualidade, Chaparro é doutor em Ciências da Comunicação pela ECA/USP.

A Câmara Municipal de São Paulo fica no viaduto Jacareí, 100, Bela Vista.

Donos do dinheiro e a apuração

2 jun

Ranking criado pelo jornal Meio & Mensagem – focado no mercado publicitário – mostrou a lista dos dez maiores anunciantes do Brasil em 2012.

Líder absoluta do segmento, a Casas Bahia investiu R$ 1,324 bilhão em ações publicitárias, enquanto que a Unilever foi a segunda colocada no ranking com R$ 1,146 bilhão investidos.

A diferença das duas primeiras posições para a Caixa Econômica Federal que ocupa o terceiro posto é gritante. O banco estatal gastou R$ 676,5 milhões em publicidade, quase meio bilhão a menos que as líderes.

A ideia desta pauta surgiu após o nosso amigo e colaborador Gabriel Duque enviar um link sobre o tema. No entanto, um fato chamou a minha atenção.

No texto citado, o valor do segundo colocado continha um algarismo a menos e assim era maior do que o primeiro. Ou seja, um erro de apuração. Após uma rápida pesquisa, constatei que os dados estavam errados, mas em nome da pressa das redações, muitos veículos acabaram publicando informações errôneas e além de não terem tomado o cuidado de checar a informação, ainda esbarraram em um conceito matemático.

Como lição deste post fica o fato de que a apuração dos dados é sempre primordial para a realização de um bom trabalho jornalístico.